segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Cultura Que Se Resume a Correr Atrás de Uma Bola e as Outras Culturas

DERSU UZALA NA COPA
por José Ribamar Bessa Freire
No futebol “a bola é um reles, um ridículo detalhe – escreve Nelson Rodrigues, para quem o que interessa é “o ser humano por trás da bola”. O que está em jogo no gramado, portanto, “não é a diversão lúdica, mas a complexidade da existência. Se for assim, se Nelson tem razão como quer o cronista Joaquim Ferreira dos Santos, então o campeão mundial da Copa já é o Japão, que deu um show de vida lá na Arena Pernambuco contra a Costa do Marfim e, depois, na Arena das Dunas, em Natal, contra a Grécia.
O Japão perdeu um jogo e empatou o outro dentro do campo, mas nas arquibancadas ganhou os dois de 10x0. As imagens reproduzidas nas redes sociais não deixam dúvidas. Enquanto torcedores do Brasil e de outros países se retiravam dos estádios, deixando montanhas de lixo, sem sequer olhar para trás, os japoneses recolhiam discretamente garrafas e copos de plástico, papel, bandejinhas de isopor, latas de cervejas e de refrigerantes, canudinhos, restos de alimentos, embalagens usadas, enfim todo lixo produzido por eles. 
Esse gesto civilizatório foi o legado mais eloquente da Copa. Com o exemplo, o japonês ensina ao mundo como tratar com respeito e civilidade o espaço público, como se relacionar com o meio ambiente e com os outros habitantes do planeta. A coleta do lixo, feita em sacos com a imagem impressa do sol nascente, foi uma lição de ética e de cidadania. Lembrei cena antológica de rara beleza do filme Dersu Uzala dirigido pelo cineasta japonês Akira Kurosawa, em 1975, baseado no diário de um capitão russo. Na torcida nipônica – diria Nelson Rodrigues – todos eram Dersu Uzala. 
O chibé repartido
O filme conta a história de uma expedição científica do exército tzarista pela bacia do rio Usurri, entre 1902 e 1907, comandada pelo capitão Vladimir Arsenyev, com a finalidade de classificar as espécies existentes nas estepes da Sibéria e realizar trabalhos de topografia. O capitão faz amizade com um caçador nativo, Dersu Uzala, um velho sábio que trata o sol, as estrelas, a água, o fogo, o vento, a neve, as árvores e os animais como pessoas. Tal qual um tcheramoi guarani, ele ouve todas essas “pessoas” que vivem na taiga siberiana – a maior floresta fria do mundo - e conversa com elas. 
Akira Kurosawa vai mostrando como se tece a amizade do capitão russo com o caçador, que lhe serve de guia não apenas pelas montanhas da Mongólia, mas também pelos sendeiros da vida. Depois de uma tempestade de neve, os dois conseguem se refugiar numa cabana no meio da floresta, onde descansam. No dia seguinte, antes de partirem, Dersu, o homem da floresta, abastece o fogão com lenha, separa um pouco de sal e estoca alimentos não perecíveis na cabana. Divide assim o pouco que tem para surpresa do capitão russo, o homem da cidade, que lhe diz:
- Dersu, isso é um desperdício. É inútil deixar mantimentos aqui, nós nunca mais voltaremos a esse lugar.
Quase todo semestre passo esse filme em sala de aula e todas as vezes me comove a cena, quando o caçador, então, explica que não é para eles dois, mas para uma pessoa qualquer, um eventual viajante, desconhecido, que chegue ali cansado e com frio, em busca de abrigo, de calor e de alimento. Compartilhar o pão não necessariamente para retribuir o que eles tinham encontrado, mas pelo prazer da partilha. 
O capitão russo, um homem de ciência, civilizado, com escolaridade, fica no meio do tiroteio, perplexo e dividido entre, de um lado, o princípio da “farinha pouca meu pirão primeiro” que ele traz do mundo urbano e, de outro, o preceito do pirão compartilhado, que é único sinal humano de vida, como canta o poeta Aníbal Beça num haicai: “Apenas num gesto / o homem é capaz de vida  / chibé repartido”. 
Não vai haver lixo
A ética da solidariedade, do desprendimento, do pensar no outro está presente tanto no comportamento do velho caçador desescolarizado, que vive no mundo da oralidade e que detém os conhecimentos da vida, quanto na coleta silenciosa do lixo realizada pelos torcedores nipônicos. 
O cineasta japonês Akira Kurosawa rodou as cenas de Dersu Uzala em 1974, em condições adversas, depois de haver tentado o suicídio três anos antes, cortando a própria garganta e os pulsos numa forte crise de depressão. Estava desencantado com o ser humano. Nesse contexto, o filme teve o efeito daquele poema de Allen Ginsberg: uma florzinha solitária desabrochando em cima de um monte de merda. É uma reconciliação com a vida, um canto de esperança, que desperta sentimento similar ao provocado pelas imagens dos japoneses coletando o lixo no estádio. 
- Eu sou bra-si-lei-ro, com mui-to or-gu-lho, com mui-to a-moooor – grita a nossa torcida embalada para a guerra. Resta saber – isso não é explicitado - do que é que sentimos orgulho. Numa sociedade patriarcal como a brasileira, parasitária, tatuada por quatro séculos de escravidão, estamos acostumados a emporcalhar tudo, ordenando que garis limpem nossa sujeira. Nossas ruas com bueiros entupidos e os banheiros e salas de aula de nossas universidades públicas são testemunhas disso. Lá, o exército do “pessoal de limpeza” trava diariamente uma batalha perdida, registrando o rotundo fracasso da escola.
- Somos milhões em ação. Todos juntos, vamos pra frente, Brasil. Salve a seleção! De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão! 
Sem patriotadas, o lema dos japoneses, talvez muito mais significativo do que “não vai haver copa”, foi o silencioso “não vai haver lixo. A corrente nipônica pra frente nos deu uma lição, que já rendeu os primeiros frutos. Na Fifa Fun Fest segunda-feira, em Copacabana, no Rio, turistas alemães, espelhados no exemplo vindo do Oriente, não apenas recolheram o lixo da praia, mas incentivaram outros frequentadores a ajudá-los
Esse gesto de extrema delicadeza e refinamento, embora solitário, mostra que civilização não é abrir estradas, construir usinas, erguer pontes e viadutos, fabricar aviões, automóveis e robôs, clonar seres vivos. É saber se relacionar com o outro: gente, planta, animal, meio ambiente. É a qualidade dos gestos que torna a condição humana possível. Enquanto houver alguém juntando o lixo e nos deixando envergonhados de nossa imundície, o mundo não está totalmente perdido. Uma florzinha brota no esterco. 
Foi um ato singelo, mas que renova nossas esperanças na espécie humana e no futuro do planeta.  Torcida japonesa, por despertar o Dersu Uzala que existe dentro de cada um de nós, domô arigatô gozaimasuA bola, efetivamente, é um reles detalhe.
Diário do Amazonas - Edição de 22 Jun 2014
COMENTO:  não é para chorar? No quesito saber se relacionar com o outro, a cultura brasileira - para não ficar em desvantagem - nos deixa o legado das "simpáticas" cornetas e vuvuzelas que tanto afeto geram entre as pessoas, particularmente as que residem próximas aos usuários.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Em Eleitor Não Se Bate Nem Com Flor

por Janer Cristaldo
São Paulo está virando Paris. Na capital francesa, já faz parte dos usos e costumes a depredação anual de centenas de carros nos réveillons. Aqui, segundo a Veja, só nos quatro primeiros meses deste ano, ao menos 227 ônibus foram incendiados no Brasil em 38 cidades. Não temos notícia de um só responsável pelo vandalismo que tenha ficado atrás das grades. Pelo menos doze capitais registraram o mesmo tipo de ocorrência. 
No que diz respeito a São Paulo, o número de coletivos queimados nesse período ultrapassa o total de ocorrências registradas durante todo o ano de 2013. Foram 70 e 53, respectivamente. O Estado do Rio de Janeiro aparece como a segunda frota mais afetada – 31 ônibus – e Minas Gerais e Pernambuco surgem na sequência com 15 e 14 veículos atingidos. Apenas na cidade de Caruaru, em Pernambuco, no último dia 7, um incêndio criminoso atingiu uma garagem e destruiu 12 coletivos em uma só noite.
Mês passado, a depredação de ônibus nesta capital acabou da noite para o dia. Foi após descobrir-se a ligação de um vereador do PT com o PCC, o grande responsável pela queima de coletivos. O serviço de vans, que é dominado pelos criminosos, não teve um só veículo queimado nesse tempo todo. Cobram o que querem durante as greves e permanecem incólumes. Se alguém precisa de prova maior do comprometimento dos proprietários de vans, é porque se recusa a aceitar o óbvio.
Ontem (Quinta-feira, 19/6/14) foi dia de festa para os bagunceiros em São Paulo. Para não sujar mais o pau de galinheiro em que virou o PT, nenhum ônibus foi incendiado. Mas foram invadidas duas concessionárias de carros importados. Só aí, um prejuízo de 3 milhões de reais. Foram ainda quebrados os vidros de agências bancárias e lojas, e destruídas lixeiras, orelhões e vasos de plantas. A manifestação, que reuniu 1.300 pessoas, pedia fim da tarifa do transporte e bloqueou marginal Pinheiros. Era uma comemoração da gloriosa Revolução de Junho de 1913. Tudo contra o capital e o comércio! Viva 1917!
Segundo a Folha de São Paulo, o protesto, organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre), terminou com ao menos cinco agências bancárias, duas lojas de carros de luxo e um veículo de imprensa depredados ontem, na zona oeste de São Paulo. O ato, iniciado na av. Paulista, reuniu 1.300 pessoas. Ou seja, basta algumas centenas de pessoas para paralisar o trânsito das principais vias da cidade e depredar a gosto o que quiser.
Índios munidos de arcos e flechas também participaram do ato e cobraram a demarcação de terras. Tudo isso com total permissão das autoridades. A televisão mostrou batalhões de choque, munidos de ameaçadoras armaduras, escudos e bombas de gás... a 300 metros de onde os arruaceiros quebravam os carros. Mais não se aproximaram. O ano é eleitoral e urge evitar alguém ferido. Ou seja, teremos ainda muito a ver até as eleições.
Curiosamente, a imprensa absolve os ativistas do MPL e atribui a baderna aos tais de black block que, coincidentemente, sempre estão juntos com os primeiros. O MPL se exime dos quebra-quebras. "Não escolhemos quem participa dos nossos atos. Não foi o MPL que começou a destruição e não conseguimos sequer terminar o nosso ato, pois quando chegamos perto do largo da Batata fomos atingidos por bombas da polícia.
Até pode ser. Mas as manifestações pacíficas do movimento sempre terminam com carros e lojas incendiadas e milhões de reais de prejuízo. Quando alguém é preso – ou apreendido, este gentil eufemismo que a imprensa endossou quando o arruaceiro é menor de idade – tem seu nome registrado na polícia e é logo liberado, sem precisar sequer de advogado.
Segundo Denis Cicuto, diretor do Grupo Caltabiano, dono das duas lojas de carros depredadas, que foram abertas nove dias atrás: "Isso aqui não é terra de ninguém". Tem razão. É terra dos que se julgam no sagrado direito de destruir propriedades alheias. Com apoio das mais altas autoridades do país.
Alguém ainda lembra de Dona Dilma, quando, em junho do ano passado, saudava os vândalos como a nova força da nação? Se alguém já não lembra, eu lembro. Segundo a presidente, depredar ônibus, carros e bancos eram manifestações pacíficas próprias da democracia.
O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprovam (o plural é dela) a energia da nossa democracia, a força da voz das ruas e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos, o neto, o pais, o avô juntos com a bandeira do Brasil cantando o hino nacional, dizendo com orgulho ‘eu sou brasileiro’ e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles”, disse então a presidente
O Brasil se orgulhava de seus baderneiros. Fernando Henrique Cardoso, que de seu glorioso climatério assistia de camarote os distúrbios de rua, perdeu uma ocasião única de ficar calado. Desqualificar os protestos dos jovens em São Paulo e outras capitais "como se fossem ação de baderneiros" constituía, na avaliação do ex-presidente, "um grave erro".
Para ele, "dizer que essas manifestações são violentas é parcial e não resolve. É melhor entendê-las, perceber que essas manifestações decorrem da carestia, da má qualidade dos serviços públicos, das injustiças, da corrupção". Geraldo Alckmin, que iniciou classificando os manifestantes como "vândalos" e "baderneiros", logo acudiu com panos quentes: "Queria fazer um elogio às lideranças do movimento e também à segurança pública e à Polícia Militar”. Para o governador, a primeira reunião com os utópicos desvairados do Movimento Passe Livre (MPL) foi positiva. "Foi uma reunião muito madura, muito proveitosa."
O resultado é o que vimos ontem, antes de ontem e desde há um ano. Não bastasse isto, o Crakgarten inaugurado por Haddad continua conquistando território. Os viciados na droga (perdão, leitor! Viciado é quem fuma cigarros. Quem fuma crack é usuário) ergueram nova favela no centro da cidade, entre a alameda Cleveland e a rua Helvétia, região mais degradada da Luz, centro de São Paulo, a uns 15 minutos de caminhada aqui de casa. E olhe que meu bairro é tido como nobre!
Trata-se do mesmo terreno onde foi erguida uma pequena favela removida no mês passado pela prefeitura ao lançar o programa "de Braços Abertos”, que consistiu em retirar os barracos e alojar seus moradores em quatro hotéis da região em troca de salário e emprego. Na época, com estes subsídios aos – como direi? – usuários, o preço do crack subiu em flecha no pedaço. A nova favela nem é para residência. Segundo um dos proprietários dos "imóveis", servem para ganhar algum dinheirinho: são alugadas para consumo do crack e relações sexuais. Leio no IG:
“Pode passar! Se você andar pelo canto da calçada, ninguém mexe”. O conselho é de um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que às 15h da última quinta-feira (20) acompanhava do carro a movimentação de pelo menos uma centena de dependentes de crack concentrados na região.
“Eles começaram a voltar faz umas duas semanas”, estimou ao iG um dos seguranças particulares que montam guarda na região, mas que pediu sigilo sobre sua identidade. Ao todo, cinco vigilantes observam o tumulto munidos de escuta e rádio. “Sem nenhuma autoridade ninguém anda aqui.”
Aos mais desavisados, a surpresa começa no largo Coração de Jesus, entre as alamedas Glete e Dino Bueno. O lixo pela rua, o comércio fechado e as discussões em voz alta impedem o avanço de quem precisa atravessar a via. A única garantia de segurança é uma viatura da CGM estacionada na metade do caminho.
A surpresa se transforma em susto ao se aproximar da esquina da Helvétia com a Cleveland. No entroncamento, dezenas de usuários de crack andam de um lado para o outro. Alguns consomem a droga, outros trocam socos, enquanto há quem prefira atendimento médico em uma tenda montada no terreno, mas ninguém ultrapassa o perímetro, delimitado por duas viaturas, duas motos e um micro ônibus da CGM.
A polícia está lá para proteger os – como direi? – utentes do crack, não o cidadão que paga seus tributos. Ou alguém já viu duas viaturas, duas motos e um micro ônibus da polícia protegendo alguém que não os crackeiros. 
São Paulo é refém da democracia. Em ano eleitoral, em baderneiro não se bate nem com flor.
Fonte:  Janer Cristaldo

sábado, 21 de junho de 2014

A Infiltração e o Quinta Colunismo Petista

Transcrevo mensagem eletrônica recebida:
"É impressionante como o PT conseguiu disseminar o medo entre o povo da classe média, pelo menos por aqui no nordeste, em particular entre os profissionais liberais e mais ainda entre aqueles que ocupam cargos públicos no governo, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.
Aqui no nordeste a realidade é totalmente diferente do sudeste, pois como aqui corre menos $$$ o cara ou é profissional liberal, engenheiro civil, médico, dentista ou advogado, ou fez um concurso e é funcionário público e depende daquele emprego para viver, pois não há outro, já que a oferta é mínima e o cara depende unicamente de ser aprovado em concurso público.
Ontem eu enviei um e-mail sobre "O teorema do Mensalão" ao Grupo que cursou direito comigo; recebi ontem mesmo um e-mail de um cara do Grupo pedindo por favor que eu não enviasse mais e-mails ao grupo criticando o governo federal do PT; também um cara amigo que é engenheiro e foi para Rio Branco no Acre como diretor técnico da Eletrobrás fez pedido idêntico e foi explícito na razão do seu pedido. 
Ou seja, não é somente porque aqui no nordeste imperou o "cabresto" político por 100 anos não, embora isso tenha sua parcela de influência.
É que os caras estão com muito medo mesmo dos Militantes do PT, que são verdadeiras policias secretas nas instituições públicas, exercendo coerção ostensiva sobre aos demais funcionários.
Se o PT continuar no poder, logo, logo assistiremos essa coerção se disseminar pelo país, sobre os cidadãos também.
Escolhi a dedo para quem estou enviando este e-mail, excluindo todo o pessoal daqui para não causar constrangimentos!
É viver para ver!
A verdade sobre a saída de Barbosa do STF
Havia um certo mistério no repentino pedido de Joaquim Barbosa por uma aposentadoria que o afastaria de vez do STF. Não há mistério nenhum. Joaquim Barbosa está no poder, logo é um homem que sabe o que se passa nas esferas governamentais e logo que Dilma aplicou o Golpe de Estado ao assinar um Decreto que enterrará de vez com a democracia, Barbosa não teve dúvidas e pediu para sair. Barbosa é um homem que sabe demais, era um entrave nas pretensões golpistas do PT e não iria arriscar a pele para salvar o Brasil sozinho.
As ameaças de morte vieram de dentro do PT, de um membro da "comissão de ética" do partido. Desde que o julgamento do mensalão foi concluído, em novembro do ano passado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, tornou-se alvo de uma série de constrangimentos orquestrados por seguidores dos petistas condenados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história. A chamada “militância virtual” do PT, treinada pela falconaria do partido para perseguir e difamar desafetos políticos do petismo na internet, caçou Barbosa de forma implacável. O presidente do Supremo sofreu toda sorte de canalhice virtual e foi até perseguido e hostilizado por patetas fantasiados de revolucionários nas ruas de Brasília.
Os ataques anônimos da patrulha virtual petista, porém, não chegavam a preocupar Barbosa até que atingiram um nível inaceitável. Da hostilidade recorrente, o jogo sujo evoluiu para uma onda de atos criminosos, incluindo ameaças de morte e virulentos ataques racistas. Os mais graves surgiram quando Joaquim Barbosa decretou a prisão dos mensaleiros José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno. Disparadas por perfis apócrifos de simpatizantes petistas, as mensagens foram encaminhadas ao Supremo. Até em um blog supostamente de Dilma Rousseff oi colocado um post com a imagem de um macaco, fazendo críticas à Joaquim Barbosa, numa atitude porca, suja e sem qualquer vínculo com a moral que seu cargo requer.
Em uma delas, um sujeito que usava a foto de José Dirceu em seu perfil no Facebook escreve que o ministro “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça” e que seus algozes seriam “seus senhores do novo engenho, seu capitão do mato”. Por fim, chama Joaquim de “traidor” e vocifera: “Tirem as patas dos nossos heróis!”. Em uma segunda mensagem, de dezembro de 2013, o recado foi ainda mais ameaçador: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas (…). Joaquim Barbosa deve ser morto”.
Temendo pela integridade do presidente da mais alta corte do país, a direção do STF acionou a Polícia Federal para que apurasse a origem das ameaças. Dividida em dois inquéritos, a averiguação está em curso na polícia, mas os resultados já colhidos pelos investigadores começam a revelar o que parecia evidente.
O homem que desejava atentar contra a vida do presidente do Supremo usava um computador de Natal (RN) e o codinome de Sérvolo Aimoré-Botocudo de Oliveira. Os agentes federais descobriram que o nome verdadeiro do criminoso é Sérvolo de Oliveira e Silva – um autêntico representante da militância virtual petista, mas não um militante qualquer.
Além de admirador de José Dirceu e Delúbio Soares e um incentivador do movimento “Volta, Lula”, o cidadão que alimenta o desejo de ver uma bala na cabeça do presidente do STF é secretário de organização do diretório petista de Natal e membro da Comissão de Ética do partido no Rio Grande do Norte.
Também é conselheiro do vereador petista Fernando Lucena na Câmara de Natal e atua como agitador sindical nas greves e movimentos da CUT no estado. Apesar de ainda exercer oficialmente todas essas funções, Sérvolo sumiu da cidade e o “Botocudo” saiu do ar. Localizado pela VEJA, Sérvolo de Oliveira confirma que, de fato, foi o autor da ameaça, mas alega que não pretendia matar o ministro do Supremo, embora, segundo diz, ele mereça morrer.
Com o Decreto 8.243, antidemocrático e repleto de aberrações jurídicas assinado por Dilma, ficou claro para Barbosa que a bandidagem neste país está acima de lei. Ele mesmo já havia dito isto, quando houve influências vinda da Papuda para o relaxamento de prisões de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno. O decreto assinado por Dilma encerra as atividades congressistas, ou seja, o congresso seus senadores e deputados se tornam obsoletos e portanto, deixam de existir, assim como deixam de existir as eleições em 2014 para Presidente da República. O STF se tornará um mero departamento do PT e todo o tipo de aberração se dará daqui para adiante, pois com todos os Juízes manipulados pelo dinheiro e pelo poder do PT, todos os mensaleiros estarão livres e fora da cadeia. Joaquim Barbosa não quer compactuar com toda esta sujeira sórdida, imunda e nojenta, não iria querer enfrentar o poder e ter o risco de ser eliminado pelos psicopatas do PT. E foi por estas e tantas outras, que Barbosa pediu sua aposentadoria. Barbosa com certeza irá sair do país, não irá viver nesta terra de bandidos, corruptos e terroristas e muito menos irá querer viver com a ausência de democracia e debaixo de um regime comunista. Há boatos que Joaquim Barbosa iria para os Estados Unidos viver lá com sua família, longe do inferno bandido e da escravidão que o povo será submetido.
Barbosa sabe ainda, que não teremos mais eleições no Brasil e sim uma grande convulsão nacional que será arquitetada pelo governo terrorista para insuflar uma guerra de classes. Sabe também que muitos serão presos, perseguidos, exilados, torturados e assassinados pela ditadura do terror e do medo. Sabe também que haverá expropriações, desapropriações, tributação e confiscos e que o Brasil terá um regime totalitário controlado por terroristas, bandidos e os revoltados dos movimentos sociais. Sindicatos, ONGs do governo, organizações de esquerda, intelectuais comunistas, índios, militantes do PT e da esquerda, líderes do Sem teto e dos Sem Terra, governarão o país sob a tutela do PT. São essas trupes esquerdistas revolucionárias que ditarão os ensejos populares, que irão propor via PT, as mudanças que o país precisa para ser igualitário socialmente. Eles serão o trampolim para uma nova constituição comunista e para as novas leis que submeterão o país à uma ditadura comunista.
Joaquim Barbosa estava sozinho, ameaçado e lutando contra um sistema político sem lei e sem moral. Não teve o apoio necessário do povo, da grande classe idiotizada e omissa que permitiu que o país chegasse onde chegou. Ninguém iria arriscar a pele para morrer por um bando de idiotas que não fazem nada pelo país e que ficam sentados em suas confortáveis cadeiras, sentando o pau no governo pelas redes sociais, mas que são incapazes de se agruparem, se organizarem e formarem uma barreira contra este governo e contra essa esquerda sórdida, canalha e traidora da pátria, que avança impiedosamente para golpear a nação. Joaquim Barbosa esteve à frente de um grande dilema, lutar e morrer como um mártir ou sair e viver em paz, longe deste país de covardes, de bandidos e de terroristas. Prevaleceu o bom senso e Barbosa foi sábio e salvou sua própria pele. Barbosa é um homem que sabe demais, sabe inclusive o que ainda não sabemos e já prevendo o grande inferno vermelho, fez o que muitos brasileiros ainda irão fazer. "PEDIR PARA SAIR"."
Fonte:  recebido por mensagem eletrônica
COMENTO:  a quadrilha, ops, partido ora empoleirado no governo federal há muito tempo foi preparando o campo de batalha para poder usá-lo em seu favor. É possível que haja algum exagero no texto acima, mas ele é extremamente coerente com os planos de tomada do país pela cambada que usa o socialismo como argumento de manutenção do poder. A insidiosa infiltração feita nas escolas em todos os níveis (fundamental, médio e superior), nos sindicatos e nos órgãos públicos permite aos membros dessa máfia o acesso a todo e qualquer dado pessoal de qualquer cidadão "deçepaíz", propiciando a criação de "dossiês" e fofocas de qualquer tipo. Perto dessa organização, o velho SNI poderia ser comparado a um bando de amadores. Assim, empregos e carreiras podem ser alavancadas ou destruídas com base em ameaças de todo tipo. Vide a censura imposta recentemente a uma jornalista televisiva, por uma deputada comunista do RJ. Bons profissionais são preteridos em favor de "cumpanhêrus" leais à causa e ao partido. Incompetentes são alçados a melhores cargos e salários, em função de sua dedicação ao líder e mentor. A sociedade é dividida para melhor ser manipulada: criam-se divisões entre brancos e negros, héteros e homossexuais, homens e mulheres, pais e filhos, casados e solteiros, ricos e pobres e pobres e miseráveis. Criam-se "direitos" sem cobrar deveres nem estipular quem arcará com as despesas dos primeiros. Os adversários vão sendo eliminados por meio de pressões e ameaças. E assim o país vai se aproximando da destruição que deve preceder a revolução que estabelecerá a nova sociedade. A mesma novidade que tentaram impor no norte da Eurásia em 1917 e que terminou em rotundo fracasso.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Honrarias Militares Mal Utilizadas

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Recorrentemente temos visto algumas manifestações cobrando a cassação de Condecorações Militares concedidas a pessoas julgadas e condenadas pelo Supremo Tribunal Federal por crimes contra o Erário.
Aqui mesmo, em outubro de 2012, publiquei um texto referente a Condecorações específicas do Exército Brasileiro - Mensaleiros e as Condecorações Militares.
Mas é óbvio que a prática de distribuir Comendas com a finalidade única de tentar agradar eventuais ocupantes de cargos públicos - sabe-se lá com que objetivos secundários, ou melhor, sabemos muito bem - não é privilégio da Força Terrestre. Os meliantes relacionados no texto que citei também possuem Condecorações equivalentes, oferecidas pela Marinha e Força Aérea Brasileiras.
Além disso, temos ainda a Ordem do Mérito da Defesa (OMD), antiga Ordem do Mérito das Forças Armadas, cuja lista de recipiendários também é maculada por malfeitores condenados e outros por demais conhecidos da sociedade.
Essas pessoas também foram honradas de acordo com critérios conhecidos somente por seus proponentes, já que não há registro sabido de que hajam prestado relevantes serviços ao segmento castrense. Pelo contrário, a atuação de alguns desses sujeitos sempre foi de acentuado revanchismo contra a caserna, devido ao período de governo militar que se seguiu à Contrarrevolução de 1964.
Em uma breve pesquisa, encontramos algumas dessas pessoas:
- João Paulo Cunha - Grande Oficial da OMD em 21 Nov 2011; 
- José Dirceu de Oliveira e SilvaGrã Cruz da OMD em 21 Nov 2003;
- José Genoíno NetoGrã Cruz da OMD em 22 Set 2008.
O Ministro da Defesa tem a obrigação legal e moral de propor a exclusão desses condenados, conforme reza o inciso II do Art 6º da Portaria Normativa nº 754/MD, de 6 Ago 2003, que "Dispõe sobre as regras para a concessão da Ordem do Mérito da Defesa e dá outras providências". Talvez isso incentivasse os Comandantes das três Forças Armadas ao cumprimento da legislação relativa ao assunto e que lhes estão afetas.
E, aproveitando o ensejo, o Ministro poderia mandar verificar a situação processual de outros nomes que destoam na relação de agraciados com honrarias militares. Por exemplo:
- Demóstenes Lázaro Xavier Torres, ex senador cassado por suspeita de envolvimento com o crime organizado - Grande Oficial da OMD em 12 Nov 2009
- Erenice Alves Guerra, ex Chefe da Casa Civil da Presidência da República, exonerada em circunstâncias extremamente criticáveis - Grande Oficial da OMD em 28 Nov 2005;
- Geddel Quadros Vieira Lima, cujo "prontuário" pode ser lido em Aveloz - condecorado com a Grã Cruz da OMFA em 12 Nov 2009;
- Genebaldo de Souza Correia (um dos "anões do orçamento") - Comendador da OMD em 26 Jun 1991;
- Jader Fontenelle Barbalho, alvo de várias denúncias de corrupção e malversação de recursos públicos, tendo inclusive, sido preso por alguns dias - Grande Oficial da OMD em 3 Jun 1988;
- Joaquim Domingos Roriz, ex governador do DF e ex senador - Grande Oficial da OMD em 13 Jun 1989;
- José Roberto Arruda, o primeiro governador a ser encarcerado durante o mandato, no Brasil - Grande Oficial da OMD em 28 Nov 2005;
- José Sérgio Gabrielle de Azevedo, ex presidente da Petrobras - Grande Oficial da OMD em 12 Dez 2005;
- Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, suspeito de envolvimento em problemas contábeis da Petrobrás - Grande Oficial da OMD em 26 Jun 1991.
E sendo muito otimista, poderia ser feita uma revisão para responsabilizar, pelo menos moralmente, os responsáveis pela indicação desses agraciados que deslustram as Condecorações recebidas, ao mesmo tempo em que se recomende maior cuidado quanto aos aspectos éticos dessas indicações. Afinal, não pode ser considerado minimamente correta a indicação, para essas honrarias, de pessoas que mancham o nome das Forças Armadas, enquanto que a grande maioria dos militares cumprem 30, 35 anos de dedicação, servidão mesmo, em prol de suas Instituições sem sequer sonharem com a chance de serem agraciados com alguma Condecoração a não ser a Medalha de Tempo de Serviço ou a de Tempo de Tropa, concedidas não por indicação mas unica e exclusivamente por seus méritos.
Resta saber se haverá coragem moral para a execução das providências necessárias para essa limpeza moral na lista dos agraciados com Condecorações Militares. 
Ou se será providenciada uma mudança urgente na legislação. 
Ou se a legislação vigente será simplesmente "esquecida" e a vida seguirá seu rumo com medalhas criadas para enaltecer virtudes militares sendo distribuídas sem critério algum à cumpanherada do (des)governo, enquanto os verdadeiros militares, os que não possuem acesso aos gabinetes palacianos, tem seu merecimento solenemente ignorado.
Já não basta a humilhação imposta por meio dos vencimentos abastardados, os militares que honram sua farda e seus valores tem que conviver com canalhas elevados ao patamar de credores de homenagem especial do Ministério da Defesa.
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sábado, 14 de junho de 2014

Remuneração dos Militares Federais - Mentiras e Insipiências

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AS GRANDES MENTIRAS E AS INSIPIÊNCIAS SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS MILITARES FEDERAIS
por Synésio Scofano Fernandes
1. O tema da remuneração dos militares federais está envolvido em uma rede de mentiras e desconhecimentos.
As mentiras, deliberadamente têm em vista iludir, fazer com que o mal seja percebido como o bem, o errado como o certo, o desfavorável como o favorável.
A insipiência resulta de avaliações superficiais, do desconhecimento de aspectos fundamentais do assunto e de conclusões apressadas.
A mentira e a insipiência não favorecem o desenvolvimento de um processo que conduza à superação do estado degradante em que se encontram os militares sob o ponto de vista salarial.
2. A primeira grande mentira é dizer que os militares federais têm uma remuneração razoável.
Essa afirmação é insustentável.
Os indicadores oficiais, divulgados amplamente, apontam, todos eles, para o entendimento de que, no panorama brasileiro, os militares federais têm um salário médio muito abaixo da categoria de servidores públicos com a menor remuneração - a Administração Direta.
De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais nº 212 – Dez 2013 – Pag 38, do MPOG, a remuneração média dos Militares Federais equivalia, em dezembro de 2013, a 65,91% a da Administração Direta.
Mas, em dezembro de 2004, os salários dos militares correspondiam a 102,26% aos da Administração Direta.
Portanto, de dezembro de 2004 a dezembro de 2013, os militares tiveram uma perda brutal frente aos integrantes da categoria com a menor remuneração no serviço público federal.
Em relação a outros setores, a situação é mais degradante ainda:
- a remuneração média dos militares, atualmente, corresponde a 35,83% a do MPU, a 34,75% a do Judiciário, a 30,23% a do Legislativo e a 27,08% a do Banco Central.
Como falar em remuneração razoável?
Mas o problema pode ser observado sob outros ângulos.
Por exemplo, se os valores dos salários dos cargos dos servidores públicos forem vistos em conjunto com aqueles dos diferentes postos e graduações dos militares. Nesse enfoque, fica claríssima a iniquidade que se abate sobre os militares federais.
No que se refere aos postos mais elevados, constatamos situações em que militares, com mais de 42 anos de serviço, detentores de todas as habilitações educacionais possíveis, com grandes responsabilidades, muitas vezes alcançando diversos estados da federação, percebem uma remuneração inferior a de servidores com encargos de muito menor abrangência.
Essa situação degradante é evidente em qualquer comparação que se queira fazer.
Nos outros níveis da escala hierárquica, por exemplo, a iniqüidade se reproduz, com muito maior ênfase, a ponto de um Segundo Tenente ter um salário bruto inferior a de um Agente Penitenciário de Segunda Classe.
O que falar das constatações de que o salário líquido de 40% dos Primeiros Sargentos da ativa do Exército é inferior a R$ 2.910,70 (dados de abril de 2014), ou de que 50% dos Segundos Sargentos da ativa do Exército perceberem uma remuneração líquida inferior a R$ 2.717,79 (dados de abril de 2014)? Ou 50% dos Terceiros Sargentos da ativa do Exército ganharem um salário líquido inferior a R$ 2.373,00 (dados de abril de 2014)?
Mas autoridades altamente situadas vêm a público condenar a “mania” de querer fazer comparações entre salários de diferentes categorias de servidores, como se fosse possível avaliar sem comparar.
No entanto, essa mesma autoridade, no mesmo contexto situacional, fez a inevitável comparação, essa totalmente falsa e desprovida de razoabilidade, de que os militares federais estariam sendo remunerados como Ministros de Estado.
3. Outra grande mentira é ressaltar o empenho e o interesse dos setores responsáveis pelo tema em resolver a situação angustiante em que se encontram os militares federais sob o ponto de vista salarial.
Nos últimos anos, a leviandade, a “ inércia” e o interesse em procrastinar a solução do problema evidenciam-se sob diferentes formas :
- acenando com a possibilidade de adoção de Políticas de Remuneração deletérias à família militar, que não enfocam ações objetivas e imediatas, mas têm em vista, na verdade, suprimir os ainda subsistentes benefícios compensatórios das características da carreira militar (extinguindo os institutos da paridade e da integralidade, submetendo os militares a um sistema de previdência social incompatível com as peculiaridades da carreira militar, criando benefícios destinados a segmentos específicos dos militares federais e outros);
- procurando apreciar a situação salarial degradante dos militares, que se evidência há uma década, no âmbito de demandas provenientes de diferentes setores do serviço público federal, de modo que os recursos financeiros, necessários a corrigir uma situação gravíssima, sejam considerados como uma parcela do montante a repartir com outras demandas, sustentadas por entidades de classes. Como aconteceu no aumento concedido por intermédio da Lei nº 12.778 , de 28 de dezembro de 2012;
- sugerindo medidas completamente dissociadas dos estudos minuciosos elaborados pelas Forças, que sustentavam proposições de aumentos salariais. Nesse caso, autoridades da maior hierarquia, em reuniões decisórias, apresentaram propostas impensáveis e completamente inaceitáveis, tais como: “o governo só pode conceder uma gratificação para o pessoal da tropa e para os postos mais elevados”, “não pode haver aumento para os agregados (inativos e pensionistas)”, ”o possível é conceder um aumento de 8% a 10%, diluído em três parcelas anuais”, quando as Forças haviam realizado uma análise pormenorizada que indicava a necessidade de uma elevação de 47,50% nos valores dos soldos a ser concedida em um exercício financeiro.
Não se identifica, nesses últimos anos, nenhum esforço, consistente e eficaz, para corrigir a situação salarial dos militares federais.
De dezembro de 2004 a dezembro 2013, a Administração Direta teve um aumento cumulativo de 207,10% enquanto os Militares Federais de 97,87%.
Em 2003, as despesas com o pagamento do pessoal militar correspondiam a 1,18% do PIB e, em 2011, a 0,94 do PIB (e continuaram descendentes); nesse mesmo período, os dispêndios com gastos de pessoal na Administração Direta foram ascendentes, de 1,32 % para 1,38 % do PIB.
Mas se difundem mentiras, afirmando que as recentes elevações salariais concedidas pela Lei nº 12.778, de 28 de dezembro de 2012, privilegiaram os militares federais, quando o exame dos anexos que acompanham esse diploma legal indica aumentos para os servidores civis, que chegam a alcançar o índice de 176%, enquanto os militares obtiveram três parcelas anuais de 9,14%.
4. Já a insipiência sobre o assunto resulta da superficialidade das análises, das vaidades e dos interesses inconfessáveis .
Cabe preliminarmente, abordar alguns aspectos que circunscrevem essa insipiência. 
A MP nº 2.215/2001 se produziu no quadro da Reforma da Previdência Social de 1998/2003.
Suprimiu indevidamente diferentes benefícios que compensavam características próprias da carreira militar. Essas supressões indesejáveis, exigiram o estabelecimento de regras de transição, que, necessariamente, estabeleceram pontos de corte, temporais e nos universos dos atingidos. Por outro lado, a MP garantiu os institutos da paridade e da integralidade, de acordo com o marco previsto no seu artigo 10.
A supressão do adicional de tempo de serviço decorreu de uma decisão de governo para todo o serviço público. A MP apenas acolheu no seu texto, essa decisão de governo, que, a qualquer momento, poderá ser modificada.
Denominar a MP nº 2.215/2001 de “MP do Mal” e propugnar pela sua pronta apreciação pelo Congresso é uma temeridade.
Qual a garantia, na atual conjuntura, de serem mantidos os demais temas de interesse da Família Militar, que a MP consubstancia em seu texto, muitos deles decorrentes de tratativas e acordos ocorridos em 2001?
Após desencadeado o processo de votação da MP, qual a orientação geral a ser seguida?
Como agir politicamente, de modo a se contrapor e a evitar que poderosos interesses usurpem os nossos derradeiros benefícios, compensatórios às limitações impostas pela carreira militar?
Enquanto isso, a questão fundamental, a superação do desnível remuneratório brutal que se abate sobre os militares federais e exige um aumento imediato de 51% nos valores do soldo, perde-se no redemoinho de reivindicações sobre aspectos periféricos, que fragmentam a percepção e inibem o agir.
Nesse cenário, os Militares e a Família Militar serão os maiores perdedores ou os vencedores?
Brasília, 3 de junho de 2014
Synésio Scofano Fernandes 
é General de Divisão Inativo 
COMENTO:  eu substituiria, no texto, a parte que afirma "exigiram o estabelecimento de regras de transição, que, necessariamente, estabeleceram pontos de corte, temporais e nos universos dos atingidos", colocando essa afirmativa no "futuro do pretérito":  "exigiriam o estabelecimento de regras de transição, que, necessariamente, estabeleceriam pontos de corte, temporais e nos universos dos atingidos", pois alguns benefícios indevidamente suprimidos simplesmente não tiveram regras de transição, como a contagem de tempo de serviço e para as Licenças Especiais. Não foram poucos os militares que perderam o cômputo de mais um ano de tempo de serviço ou o direito de cômputo de mais uma Licença Especial por questão de poucos dias, sem que houvesse uma regra de compensação pelo tempo já decorrido. 
Por outro lado, coevo a esse massacre remuneratório imposto aos militares federais, a governante ora empoleirada na Presidência da República não mostra pejo ao estabelecer inúmeras missões aos mesmos militares, mesmo sabendo que tais missões não são competência deles. 
Tivéssemos ainda líderes no seio das Forças Armadas, eles condicionariam a mobilização de seus subordinados a um mínimo de melhoria nas condições de cumprimento dessas missões. Mas o que vemos com frequência maior que a desejada, são os Soldados serem empregados em missões de todo tipo (desde recolhimento de lixo, capina de praças, organização de filas para atendimento médico-hospitalar, até missões de policiamento e segurança) sem condições adequadas de alojamento e, até mesmo, de alimentação decente (há casos em que a alimentação se resume ao velho "catanho"; isso quando os Soldados não são "dispensados" no meio da tarde, sem almoço, como "recompensa" pelo bom cumprimento da missão).
Ao mesmo tempo em que são aumentadas as missões e os vencimentos são achatados, a "moral da tropa" recebe outros atropelos, sem que as chefias tomem qualquer providência para, pelo menos, minimizar os efeitos deletérios da perda de confiança dos seus subordinados. A procura de direitos via judicial ou por meio da transferência da Confiança (que era depositada nos Comandantes) para parlamentares - nem sempre bem intencionados - é uma realidade atual.  Já tratei desse assunto aqui (A  Luta de Classes Tupiniquim Chega ao Exército Brasileiro), mas convém lembrar que a "luta de classes" já se estabeleceu no seio das Forças Armadas, particularmente no Exército, há bastante tempo. Não vê quem não quer ver.
Foi-se o tempo em que o Exército estimulava seus Líderes a preocuparem-se com o bem estar de seus Subordinados. Hoje já não há necessidade de Líderes. Ser Chefe já basta.
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domingo, 8 de junho de 2014

O Legado da Copa



por Luiz Reni Marques
A Copa do Mundo de Futebol começa nos próximos dias e as discussões sobre o que o Brasil vai ganhar sediando um evento gigantesco como este seguem na ordem do dia. 
É bom, é ruim, sei lá. Sinceramente, não acho que vá acrescentar qualquer coisa à realidade do país. Somos pobres, cheio de carências e continuaremos sendo. 
O que me chama a atenção é a transformação de um negócio, sim, um grande negócio, privado, em uma questão de estado.
Ora, a FIFA é uma organização particular, que promove um torneio que envolve empresas multinacionais que, sem nenhum desdouro nisto, buscam o lucro. Fica difícil entender porque o mundial virou assunto de interesse do poder público no Brasil. 
Prefeitos, governadores, ministros e até a presidente da República abraçaram a causa como se fosse plataforma de governo. 
Que tudo transcorra da melhor forma possível e que os sócios na empreitada colham os dividendos que esperam e os brasileiros, se for o caso, comemorem mais uma conquista esportiva. Mas, as prioridades governamentais são, ou deveriam ser, outras: educação, saúde, segurança, transporte e por aí vai
A FIFA fatura muita grana com patrocinadores, venda de ingressos, televisionamento, etc. Se precisa de melhores estádios, aeroportos, transporte urbano para o sucesso da sua iniciativa, que procure estes recursos, assim como faz para obter gordas receitas, junto aos seus parceiros comerciais ou em lugares que contem com esta infraestrutura pronta. 
Dizer que sem a Copa nada seria feito faz pensar que a poderosa entidade está bancando estas obras, o que não é o caso. Porque a verba para a logística e todas as exigências da dona do futebol deveria sair dos cofres de Brasília e adjacências, e só seriam feitas por causa do evento planetário? 
Escrevo "sair" e "seriam" porque, de fato, nem foram feitos. E, pela nossa tradição, acho que nem era intenção mesmo, tocar tais projetos. 
Para finalizar, o tal legado... Que mudanças houve após a "Fifa World Cup" na Alemanha, na Coréia do Sul, no Japão, na África do Sul e no México - que sediou duas copas nas últimas décadas e continua sendo o velho vizinho pobre dos Estados Unidos, que, aliás, organizou um mundial e duas décadas depois a maioria da sua população nem lembra disto? 
Ah, e se for para investir em esporte, porque não em pistas, piscinas, quadras e outros equipamentos destinados à prática de esportes amadores, que poderiam contribuir para reduzir o fiasco de voltar de cada Olimpíada contando as míseras medalhas obtidas.
COMENTO: eu só acrescentaria no texto, após "as míseras medalhas obtidas", o termo "por equipes geralmente compostas por militares".


domingo, 1 de junho de 2014

Vítimas do Terrorismo - Junho

Neste junho de 2014, reverenciamos a todos os que, em junhos passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil e agora lhes negam até mesmo o lenitivo de serem pranteados por nós.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.
26/06/68 - MÁRIO KOZEL FILHO (Soldado do Exército - SP) 
Em 1968 o jovem Mário Kozel Filho foi convocado para servir à Pátria e defendê-la contra possíveis agressões internas ou externas.
Na mesma época o capitão Carlos Lamarca, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, servia no 4ºRI, em Quitaúna, SP e no dia 24/01/68, traiu a Pátria que jurou defender. Roubou do 4º RI fuzis, metralhadoras e munição, desertou e entrou na clandestinidade. O material bélico roubado foi entregue à Vanguarda Popular Revolucionária, VPR, uma organização terrorista que Lamarca já integrava antes de desertar.
O soldado Kozel continuava servindo, com dedicação a Pátria que jurou defender. No dia 26/06/68, como sentinela, zelava pela segurança do Quartel General do II Exército. Às 04:30 horas ele está vigilante em sua guarita. Neste momento, um tiro é disparado por uma sentinela contra uma camioneta que desgovernada tenta penetrar no Quartel. Seu motorista saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o mesmo veículo que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro, para ver se há alguém no seu interior. Há uma carga com 50 quilos de dinamite que, segundos depois, explode e espalha destruição e morte num raio de 300 metros. Seu corpo é dilacerado. Os soldados João Fernandes, Luiz Roberto Julião Edson Roberto Rufino estão muito feridos. É mais um ato terrorista da organização chefiada por Lamarca, a VPR.
Participaram deste crime hediondo os terroristas Diógenes José de Carvalho Oliveira (o Diógenes do PT, com implicações com bicheiros no governo Olívio Dutra/RS), Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares de Lima e Silva.
Lamarca continuou na VPR, seqüestrando, assaltando, assassinando e praticando vários outros atos terroristas, até o dia em que morreu, de arma na mão enfrentando uma patrulha do Exército que o encontrou no interior da Bahia em 1971. Sua família passou a receber a pensão de coronel porque Lamarca, se não tivesse desertado, poderia chegar a este posto.
Apesar de todos os crimes hediondos que cometeu, sendo o mais torpe deles o assassinato a coronhadas de seu prisioneiro Tenente PM Alberto Mendes Júnior, Lamarca é apontado como herói pelos esquerdistas brasileiros. Ruas passam a ter seu nome. Tentam colocar seus restos mortais num Mausoléu na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Um filme é feito para homenageá-lo. 
Mário Kozel Filho, soldado cumpridor dos seus deveres, cidadão brasileiro que morreu em serviço, está totalmente esquecido. Além do esquecimento a Comissão dos Mortos e Desaparecidos que já concedera vultosas indenizações às famílias de muitos terroristas que nunca foram considerados desaparecidos, resolveu indenizar, também, a família Lamarca, numa evidente provocação às Forças Armadas e desrespeito às famílias de Mário Kozel Filho e de muitos outros que com ele morreram em conseqüência de atos terroristas.
27/06/68 NELSON DE BARROS (Sargento PM - RJ)
No início de junho de 1968, no Rio de Janeiro, pequenas passeatas realizadas em Copacabana e na rua Uruguaiana, pressagiaram as grandes agitações que estavam por vir, ainda nesse mês, e que ficaram conhecidas como "As Jornadas de Junho".
No dia 19/06/68, cerca de 800 estudantes, liderados por Wladimir Palmeira, tentaram tomar de assalto o edifício do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, cerca de 1.500 estudantes invadiram e ocuparam a Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Avenida Pasteur, fazendo com que professores e membros do Conselho Universitário passassem por vexames, obrigando-os a saírem por uma espécie de corredor polonês formado por centenas de estudantes. Vinte e quatro horas depois, em 21/06/68, também ao meio dia, foi realizada nova passeata no centro do Rio. Conhecido como a "Sexta feira Sangrenta", este dia foi marcado por brutal violência.
Cerca de 10.000 pessoas, os estudantes engrossados por populares, ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia Militar. No final da noite, mais de 10 mortos, e centenas de feridos atestavam a violência dos confrontos. Entre os feridos graves estava o sargento da Polícia Militar Nelson de Barros que veio a falecer no dia 27/06/68.
27/06/68 - NOEL DE OLIVEIRA RAMOS (Civil - RJ)
Morto com um tiro no coração, em conflito na rua. Estudantes distribuíam no Largo de São Francisco, panfletos a favor do governo e contra as agitações estudantis conduzidas por militantes comunistas. Gessé Barbosa de Souzaeletricista e militante da VPR, conhecido como "Juliano" ou "Julião" infiltrado no movimento, tentou impedir a manifestação com uma arma. Os estudantes, em grande maioria, não se intimidaram e tentaram segurar Gessé que fugiu atirando, atingindo mortalmente Noel de Oliveira Ramos e ferindo o engraxate Olavo Siqueira. 
04/06/69 - BOAVENTURA RODRIGUES DA SILVA (Soldado PM - SP)
Morto por terroristas durante assalto ao Banco Tozan.
22/06/69 GUIDO BONE e NATALINO AMARO TEIXEIRA (Soldados PM - SP)
Mortos por militantes da ALN que atacaram e incendiaram a radio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.
11/06/70 IRLANDO DE MOURA RÉGIS (Agente da Polícia Federal - RJ)
No dia 11/06/70, o embaixador da Alemanha, Ehrenfried Von Hollebem, saiu da Embaixada, no Rio de Janeiro, para a sua residência. Sentado no banco de trás de sua Mercedes preta, o embaixador tinha como motorista o funcionário Marinho Huttl e o agente da Polícia Federal Irlando de Moura Régis, sentado no banco da frente e portando um revólver .38. Seguindo a Mercedes, como segurança, ia uma Variant com os agentes da Polícia Federal Luiz Antônio Sampaio como motorista e José Banharo da Silva, com uma metralhadora INA.
Tendo ocupado o dispositivo desde antes das 19:00 horas, o "Comando Juarez Guimarães de Brito" executou o seqüestro às 19:55 horas, nas proximidades da residência do embaixador, no cruzamento das ruas Cândido Mendes com a Ladeira do Fialho.
Ao aproximar-se o carro diplomático, Jesus Paredes Soto deu um sinal a José Maurício Gradel que avançou uma "pick up" Willys, abalroando a Mercedes. Incontinente o casal que "namorava" na Escadinha do FialhoSônia Eliane Lafóz e José Milton Barbosa, este com uma metralhadora, disparou sua arma contra a Variant da segurança, ferindo Luiz Antônio Sampaio no abdômen e na coxa esquerda e José Banharo da Silva na cabeça. Ao mesmo tempo, Eduardo Colen Leite "Bacuri", à queima roupa, disparou três tiros de revólver .38 em Irlando de Moura Régismatando-o com um tiro na cabeça.
Herbert Eustáquio de Carvalho, empunhando uma pistola .45 arrancou o diplomata da Mercedes e embarcou-o no Opala, dirigido por José Roberto Gonçalves de Rezende.
09/06/71 - ANTÔNIO LISBOA CERES DE OLIVEIRA (Civil - RJ)
Morto por terroristas durante assalto à boate Comodoro.
02/06/72 - ROSENDO RESENDE (Sargento PM - SP)
Morto ao interceptar quatro terroristas que assaltaram um bar e um carro da Distribuidora de Cigarros Oeste Ltda. Na ação, também foi ferido o Sd PM Rui Bras Fiorini.
29/06/72 - JOÃO PEREIRA (Mateiro - região do Araguaia - PA)
"Justiçado exemplarmente" pelo PCdoB, por ter servido de guia para as forças legais que combatiam os guerrilheiros.
A respeito, Ângelo Arroyo declarou em seu relatório: "A morte desse bate-pau causou pânico entre os demais da zona".
.../06/73 - FRANCISCO VALDIR DE PAULA (Soldado do Exército - região do Araguaia - PA)
Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de: TERNUMA
COMENTO: também lembrarei aqui alguns membros de organizações terroristas que foram "justiçados" por seus companheiros de luta. Para isso, relato dois desses "justiçamentos", ocorridos em 11 Jun 70 e 28 Jun 73. O primeiro deles transcrevo do Projeto Orvil, denominado pela imprensa como o livro secreto do CIE. Em suas páginas 517 e 518 do Segundo Volume, pode ser lido:
"Havia pouco tempo, tinham sido incorporados ao GTA os militantes Ary Rocha Miranda e Wilson Conceição Pinto, egressos da Frente de Massas. Após os primeiros assaltos, os dois manifestaram a intenção de afastarem-se por inaptidão àquele tipo de atividade. Foram ameaçados de morte por Monir Tahau Sab, caso resolvessem abandonar·a organização.
No dia 11 de julho de 1970, durante o assalto ao carro-pagador do Banco Nacional de Minas Gerais, na chegada à agência do banco, na Av Nossa Sª da Lapa, esquina com Afonso Sardinha, Eduardo Leite (“Bacuri”) - que se havia agregado à ALN, após o desbaratamento da REDE em maio de 1970 - feriu "acidentalmente" Wilson Conceição Pinto e Ary Rocha Miranda.
Wilson Conceição Pinto encontrava-se, dentro do esquema do assalto, a cerca de 30 metros do banco, no seu posto de observação, na Av N. Sª da Lapa esquina com Afonso Sardinha quando ouviu um tiroteio na porta do banco - "Bacuri" acaba de ferir mortalmente Ary Rocha Miranda. Momentos depois, era a vez de Wilson ser atingido por "Bacuri" com um tiro transfixante no braço esquerdo. Ao ligar o surpreendente acontecimento às ameaças de Monir, Wilson evadiu-se do local, evitando embarcar num dos carros da ação.  (.................)
Quanto a Ary Rocha Miranda, gravemente ferido, foi transportado de carro, por Hiroaki Torigoe, "Bacuri" e um militante chamado por "Francisco", para o aparelho de "Bacuri". Por falta de socorros, Ary faleceu por volta das 22.30 horas daquele mesmo dia. Como "estória de cobertura" para o "acidente", foi apresentada a versão de que "Bacuri" confundira os dois com policiais. (........)
No dia seguinte, Flávio Augusto Neves Leão de Sales saiu para procurar local para enterrar o morto. Escolhido o local, por volta das 15 horas, Flávio Augusto, Aurora Maria do Nascimento Furtado e "Bacuri" colocaram o cadáver na mala do carro e realizaram a inumação num terreno em Embu-Guaçu. A família de Ary Rocha Miranda não teve o conforto de ser avisada de sua morte, nem do local do enterro. Mais conveniente seria atribuir o "desaparecimento" aos órgãos de segurança, como foi feito. Só se tomou conhecimento da trama macabra através das prisões posteriores de Denize Crispim, a companheira de "Bacuri", e Reinaldo Morano Filho."
O outro "justiçamento", o de Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da Resistência Armada Nacionalista (RAN),  ocorreu em 28 de junho de 1973, dentro da Escola onde era professor, por um trio de militantes da ALN liderados por Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, o "Luiz", companheiro de  Maria do Amparo Almeida Araujo, então militante da Organização e, bem mais tarde, presidente do “Grupo Tortura Nunca Mais”, em Pernambuco (ela teria feito os levantamentos que permitiram a realização do “justiçamento”).
Em depoimento no livro “Mulheres que Foram a Luta”, do jornalista Luis Maklouf de Carvalho-1998, ela declara não saber quem realizou a ação, embora seja evidente que, para que o “justiçamento” pudesse ter sido realizado, ela deve ter passado este levantamento para alguém. A motivação e a execução do crime podem ser lidos nas páginas 357 a 359 do livro "A Verdade Sufocada" do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ou clicando AQUI e procurando na sequência de textos. 
E ainda há o caso da morte acidental não explicada de Elizabeth Mazza Nunes e o sumiço dado ao corpo, sem que tivessem a humanidade de avisar a família. O caso pode ser lido em: http://prof.reporter.sites.uol.com.br/mortedemilitante.htm.