quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pesquisa CNI/Ibope

Jorge Rodini
A ultima pesquisa CNI/IBOPE realizada entre os dias 20 a 23 de Junho retrata com fidelidade as pesquisas qualitativas realizadas pelo nosso Instituto em várias cidades do Estado de São Paulo e Maranhão nos últimos 30 dias (capitais, região metropolitana paulista e interior).
Nestes grupos de foco, realizados principalmente com as classes menos favorecidas, Lula continua sendo defendido ardorosamente pelos homens, porém começa a ser questionado pelos jovens e pelas mulheres.
Os jovens reclamam da falta de oportunidades, de qualificação e do ensino público. As mulheres estão preocupadas com o aumento da cesta básica, como arroz, feijão, óleos e cimento e com a deterioração da saúde.
Frases como "nós não nos alimentamos de biodiesel", "mesmo com empresas vindo para cá, não empregam gente sem experiência", são recorrentes entre os jovens.
Os homens explicitam a defesa do presidente afirmando "a culpa dos preços estarem altos não é do Lula, é da inflação", "Lula viaja muito para trazer negócios para o Brasil" ou ainda "o problema é dos outros países".
As mulheres, que já foram reticentes com Lula e se renderam aos encantos dos preços estáveis relatam "O Presidente deu com uma mão no primeiro mandato e tirou com as duas no segundo" ou "a saúde está doente no Brasil" e mais "minha vida tinha melhorado, mas agora.." .
A base de sustentação de alta popularidade de Lula é a região Nordeste e os homens. Suas vulnerabilidades podem começar a serem mostradas neste desenho novo e ao mesmo tempo antigo da megera inflação.
Como se percebe, em geral, as pesquisas qualitativas antecipam as quantitativas. O medo da inflação antecipa sua percepção que antecipa o fato concreto das gôndolas.
COMENTO: É claro que a "base" é composta por "homens". Aqueles que estão desobrigados de trabalhar e proporcionar o sustento de suas famílias, graças ao milagre das bolsas-voto, preferindo seguir o conselho da candidata à Prefeitura de São Paulo: "relaxem e gozem". Já as mulheres, que se veem na contingência de gerenciar as merrecas governamentais e os jovens que efetivamente buscam qualificação para enfrentar o mercado de trabalho e escapar da mendicância, preocupam-se por não ver a chegada do paraíso prometido.

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