quarta-feira, 2 de julho de 2008

MRTA, o Terrorismo no Peru e a União Européia

por Marcelo Rech
O Peru aguarda com grande expectativa a revisão pela União Européia, do caráter terrorista do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), responsável entre outras coisas pelo seqüestro da residência do embaixador japonês em Lima em 1997 e que durou quatro meses.O Parlamento Europeu, garantiu em abril seu presidente, Hans-Gert Pottering, vai rever a decisão de retirar a organização da lista de grupos terroristas.Em Lima, por ocasião da V Cúpula América Latina-Caribe – União Européia, Pottering reconheceu que a decisão foi motivada pela falta de informação e pela desinformação dos eurodeputados.Essa revisão é fundamental para que os esforços realizados pelo Peru no combate ao terrorismo deste e do Sendero Luminoso, não sofra um retrocesso. Os congressistas europeus voltam a se reunir no dia 7 de julho.Enquanto aguardam, os peruanos fazem a sua parte. Nesta semana, a Suprema Corte do país decidiu por unanimidade elevar de 32 para 35 anos a pena de prisão imposta aos líderes do Tupac Amaru, Víctor Polay Campos e Miguel Rincón Rincón, acusados pelo crime de terrorismo.Além disso, outros dez terroristas vinculados ao grupo também sofreram o aumento de suas penas pelo mesmo crime. Os integrantes do MRTA ainda terão de reparar economicamente os civis atingidos pelo terrorismo. O Ministério Público do país queria prisão perpétua para os líderes da banda subversiva.De acordo com o procurador anti-terrorista Julio Galindo, a decisão da justiça peruana será entregue aos parlamentares europeus para reforçar a qualificação de organização terrorista do MRTA.É o mínimo que a Europa pode fazer se quiser de fato combater o terrorismo global.O MRTA, assim como a FARC, operam interna e externamente. Militantes dessas organizações radicados no Brasil, Bolívia e Chile, realizam um trabalho “diplomático”, de arrecadação de fundos, treinamento e estão envolvidos com o crime organizado.Em maio, um representante do MRTA asilado no Chile informou que 18 guerrilheiros estavam prontos para integrar-se às FARC e no final do ano passado, o grupo utilizou a Agência Bolivariana de Imprensa para difundir mensagens radicais.Gera apreensão entre os peruanos a decisão de 30 supostos ex-emerretistas, de fundar o partido Pátria Livre. O líder da futura agremiação, Aníbal Apari cumpriu pena de 16 anos por terrorismo e casou-se ainda na prisão com Lori Berenson, de nacionalidade norte-americana e que integrou o MRTA.Junto com Apari está Luis Alberto Gordon Iglesias, outro emerretista que em fevereiro representou a organização do segundo congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, em Quito.No entanto, o caso mais emblemático é o do jornalista Walter Chávez vinculado ao MRTA e que conta com a proteção do governo da Bolívia em La Paz.Chávez foi um dos principais assessores do presidente Evo Morales a quem conheceu em 1988. Ele vive naquele país na condição de refugiado político desde 1998 e em março a Suprema Corte boliviana negou a sua extradição exigida pelo Peru.
Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e
especialista em Relações Internacionais e

 Estratégias e Políticas de Defesa.
E-mail: inforel@inforel.org

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