segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Farsa do Aumento (Reajuste) dos Militares.

Recebido por @mail:
*JOGO DE NÚMEROS ou Malba Tahan*
Exmo. Sr. Ministro da Defesa, Nelson Jobim, o motivo desta missiva é assegurar que, no futuro, V. Exa. não possa vangloriar-se de ter enganado facilmente os militares com essa farsa que chama de "reajuste de militares de 35,6 a 137,8%", a exemplo do que faz atualmente, quando se vangloria de, por ocasião da Constituinte, ter fraudado a Constituição com a inserção de artigos que lá não deveriam constar.
Basta conhecer a formação do salário do militar, e ter tido acesso aos últimos reajustes que tiveram, para se verificar que tal afirmação é falsa, até porque sequer repõe as perdas salariais dos militares sofridas ao longo dos últimos anos, logo, não pode ser chamado de "aumento", muito menos de "reajuste com ganho real".
Me faz lembrar o livro de Malba Tahan, "O homem que calculava".
Talvez por isso, V. Exa., comprovadamente um EXCELENTE ARTICULADOR, como se orgulha em ser reconhecido, que até admitiu ter fraudado a Constituição, tenha querido abraçar a causa de calcular o reajuste, retirando das Forças Armadas a possibilidade de oferecer qualquer proposta, a título de fazer uma nova política de salários que "valorizem a carreira militar".
É mais do que sabido por todos os militares que, na pior das hipóteses, mesmos nas piores fases dos últimos governos, antes de Lula, quando não se queria dar aumento aos militares se alegava falta de verbas, mas, religiosamente, sempre saía o famoso "cala-boca", algo em torno de 10% ao ano, ou algo parecido, projetado para dois anos, mas sempre em torno desse percentual por ano.
Foi por causa dessa atitude vergonhosa dos governantes para com os militares que seus salários foram progressivamente depauperados, pois nunca se comparavam os "reajustes cala-boca" aos percentuais que as outras Carreiras de Estado estavam recebendo.
Hoje, o salário do militar é uma vergonha para o país.
E vai continuar a ser uma vergonha, porque V. Exa., ao propor um reajuste tão vergonhoso como o ora divulgado, incide nas seguintes situações:
1) Não resolveu o problema salarial dos militares;
2) Sequer resolveu o problema salarial dos soldados, pois ganhar um salário mínimo é direito constitucional de todo o trabalhador que vinha sendo desrespeitado, e pagá-lo ao soldado é obrigação do Estado que obriga o indivíduo a prestar o serviço militar;
3) Com um jogo de números, V. Exa. prorroga e suspende por dois anos e três meses a discussão do salário dos militares, espertamente fazendo parecer que, pelo menos por enquanto, a situação estaria resolvida, o que não é verdade, senão vejamos:
- O General de Exército, com 40 anos de serviço, somente daqui a 2 anos e três meses é que passará a ganhar R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), valor que qualquer promotor, juiz, Delegado de Polícia Federal, procurador da República, aos seus 21 a 24 anos de idade ganha mais como salário inicial, estes em torno de R$ 20.000,00, ressalte-se, HOJE;
- O Oficial, Tenente, egresso de uma Academia Militar, na qual fica internado no mínimo 4 anos para se formar, irá ganhar, daqui a dois anos e três meses, apenas R$ 5.500,00 (cinco mil e novecentos reais), menos do que ganha hoje um Policial Rodoviário Federal, cargo de nível médio, e quase a metade do que ganha um Agente de Polícia Federal ou então de um Tenente da Polícia Militar do Distrito Federal, e torno a dizer, HOJE.
Ressalte-se que, ao me referir a estas categorias de profissionais e a seus salários, estou me referindo ao que ganham hoje, sendo certo que, a exemplo do que ocorre no Judiciário e no Legislativo com grande constância, em breve esses salários também estarão sendo reajustados, aumentando a sua defasagem em relação aos salários dos militares.
Se considerarmos que não temos aumento desde 2006, e que agora só poderemos falar de novo em reajuste para 2011, pois até 2010 já está "tudo dominado" pela sua esperteza, temos um lapso de tempo de cinco anos, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, nos quais, graças à V. Exa. teremos um reajuste médio de 47%; logo são 47% divididos por cinco anos, o que dá menos de 10% ao ano, que era o nosso "cala-boca", pelo menos quando tínhamos o aumento negado às claras, e não às custas de fraudes matemáticas.
Esse é o objetivo dessa missiva, Sr. Ministro, desmascarar essa farsa matemática, essa fraude contra os interesses da Nação, pois é a ela que os militares servem, e não a governos transitórios.
Não tivemos nenhum aumento.
Que fique bem claro.
O que está se perpetrando é uma CONDENAÇÃO.
Sim, uma CONDENAÇÃO, que obrigará os militares a prorrogar por mais dois anos e três meses sua penúria, a rolar dívidas feitas em decorrência de aguardar por anos um reajuste que resolveria sua situação, mas que não veio, e a SUSPENDER, até lá, 2011, qualquer discussão salarial que realmente coloque o militar na real posição que merece, equivalente e proporcional aos relevantes serviços que presta à Pátria.
ALBERTO CANTUÁRIA
COMENTÁRIOS EXTRAIDOS DO "COTURNO NOTURNO":


Mujahdin Cucaracha disse...
Muito interessante o cálculo: 137% para os recrutas, 35% para os Generais. Em média, quase 50%. Nunca antes "nessepaíz" houve coisa igual.
Mas se considerarmos que os recrutas por força da Constituição já recebiam um abono que completava seus vencimentos até o valor do salário-mínimo, depreende-se que estes "não terão acréscimo algum" aos seus vencimentos pois deixarão de receber o tal abono. Recalculando-se, assim, a média do reajuste, a conta terá resultado muito diferente!!!
24 de Abril de 2008 00:46
Anônimo disse...
O que há por trás desse reajuste desproporcional entre recrutas e oficiais generais? Vamos botar os neurônios para trabalhar, gente. Isso aí é uma manobra canhestra, desavergonhada, de colocar os recrutas em situação superior aos seus comandantes.
É apenas uma tentativa de dividir as Forças Armadas pela raiz, pelo cerne mesmo.
Eles já tentaram desqualificar a Alta Oficialidade de nossas Forças Armadas antes, no episódio do caos aéreo.
É uma linha programática que vai levar o País à mútua confrontação, se as Forças Armadas não reagirem agora.
O noticiário está prenhe de FATOS sobre essa política de fragmentação da nacionalidade; já procuraram jogar negros contra brancos e agora dividem o País entre índios e não-índios.
ACORDA, BRASIL!!!
Zé do Coco
24 de Abril de 2008 01:32
homem americano disse...
Caro Zé do Coco,
Não há reajuste algum para os soldados, o que há é mais uma safadeza dos cretinos que ao incorporarem a complementação do soldo, creditam-se um reajuste que não houve senão no papel e na televisão. São discípulos de Goebels e estão fazendo o seu mister. Agora virá uma enxurrada de babacas petistas e outras da mesma espécie, via de regra rastejando na gosma que sai de suas bocas podres e cheias de tártaro, declarar que foi dado um reajuste esplendoroso aos militares, quando em verdade nenhuma parcela será acrescida aos proventos dos soldados, senão nos títulos. Por sua vez, a grande massa de Oficiais e Graduados permanecerá no limbo com o reajuste de 10%, em média, pois oscila entre 9,0% e 10,7%, quando o pãozinho subiu desde outubro do ano passado de R$5,00 para R$7,50, o que é exatamente 50%. O leite que comprávamos a a R$1,00 no começo do ano passado, está custando R$2,25, portanto, 125%. O feijão que era R$1,70, custa hoje 4,90, portanto, quase 200% mais caro.
A verdade é que Lula está em campanha e precisa fazer propaganda. Os militares ele não tem que temer, pois os generais estão debaixo das camas e sofrendo de um Mal de Parkinson curioso que faz tremer a a alma antes que o corpo, e por isso não precisa pagar melhores salários aos milicos. Já os Sem Terras, se ele não der a grana que eles querem eles quebram tudo e mesmo dando, eles ainda invadem a Câmara do De puta dos, digo dos Deputados.
A fúria das legiões não se verá nessa geração, pois quando muito arrotarão, afinal Não se vê mais Rodrigos Otávios Jordão (foi chefe do General Augusto Heleno) entre os guerreiros, tampouco teremos um Médici, aquele que em 1973 teve a dignidade de dar um reajuste de 100% aos militares. Resta-nos o pranto de nossas esposas e o ranger de dentes de nossos filhos e a amargura de ter como corolários de nossa instituição a hierarquia e a disciplina. O duro é convencer nossos filhos e esposas a comerem isso aí.

24 de Abril de 2008 11:21
Mujahdin Cucaracha disse...
Concordo com o "Zé do Coco" quanto à tentativa de dividir as FFAA, só que provocando uma enorme frustração nos recrutas com o anuncio de reajuste de 137% nos vencimentos, quando os mesmos terão acréscimo zero ou próximo disso nos contracheques. Se os vencimentos deles for equiparado ao salário-mínimo, eles não verão diferença alguma pois já devem estar recebendo esse valor com a soma de seus vencimentos e a diferença que deve lhes ser paga, de acordo com a Constituição Federal (inciso VII do art. 7º).
24 de Abril de 2008 11:32

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente as colocações em todos os comentários...são pessoas como vocês que precisamos na aquela merda em Brasília.